Arquivo da categoria ‘violência’

O triplo fardo das mulheres de periferia

19 Maio, 2008

“A situação das mulheres nas periferias é catastrófica, elas são vítimas invisíveis da violência criminal e policial que assola suas comunidades.” A afirmação é de Tim Cahill, autor do relatório “Por trás do silêncio: experiências de mulheres com a violência urbana no Brasil” da Anistia Internacional. Lançado em abril, o relatório alerta para o efeito da violência urbana sobre as mulheres moradoras de comunidades de baixa renda, que passa despercebido pelos dados oficiais.

“As mulheres acabam sendo atingidas de três formas, carregam um triplo fardo. Por um lado sofrem a violência do tráfico e a violência policial. De outro, sofrem com a falta de acesso a serviços do Estado. Por fim, acabam sendo culpabilizadas por não ter mantido a estrutura familiar.” (more…)

estupro de gangues cresce vertiginosamente no quênia

3 Fevereiro, 2008

Todos os dias mulheres aparecem nos hospitais de Nairobi contendo a mesma história.

“Eu não consegui fugir. Fecharam minha boca e me levaram para a floresta e me estacaram ao chão” lembra uma mulher.

“Demos de me estuprarem me vendaram e me levaram para uma floresta onde me deixaram.”

Médic@s do Hospital da Mulher de Nairobi um dos centros líderes de tratamento ao estupro e violência sexual - dizem que dobrou os casos que afetam a mulher, adolescentes e crianças desde janeiro.

“Desde o começo do mês tivemso 140 casos de estupro e abuso” dissse Rahab Ngugi do Hospital.

“Vemos uma média de 4 casos por dia e agora estamos vendo entre 8 e 10.”

Quase metade dos casos na clínica são meninas de menos de 18 anos, diz Ngugi. Um caso foi de um bebê de 2 anos.

Mas isso é apenas a ponta do iceberg porque apenas uma pequena porcentagem de mulheres chega a clinica para receber tratamento depois de um atque sexual. Isso quer dizer que nao recebm remedios que poderiam por exemplo prevenir o HIV.

Os problemas no Quênia (re-)começaram em dezembro de 2007 numa eleição semi-forjada que disparou uma sério de conflitos entre tribos locais. É estimado que um quarto de um milhão de pessoas fugiram de suas casas e 85% dessas pessoas são mulheres e crinças.

“As batalhas são lutadas nos corpos das mulheres assim como nos campos de batalha.” diz Kathleen Cravero diretora da UNDP (Bureau for Crisis Prevention and Recovery). Ela tambem, diz que nao ha evidencia de que os altos niveis de violencia sexual são motivadas por conflitos etnicos ou são oportunamente criminais.

mais em
fonte
http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7204680.stm

Concurso sobre jornalismo e direitos humanos enfoca violência contra a mulher

31 Janeiro, 2008

Estão abertas as inscrições, até o dia 30 de abril, para o I Concurso
Internacional sobre Jornalismo e Direitos Humanos, cujo tema é “A
Violência contra a Mulher: uma violação dos direitos humanos”. A
iniciativa é promovida pelo projeto CEDAW Argentina do Instituto
Interamericano de Direitos Humanos [IIDH]; da Associação Civil
Artemisa Comunicação e da área de Gênero e Direitos Humanos da
Mulheres do Instituto de Direitos Humanos da Faculdade de Ciências
Jurídicas e Sociais da Universidade Nacional de Plata. A idéia é
estimular o trabalho jornalístico e conscientizar as pessoas sobre a
necessidade de proteger e difundir os direitos das mulheres. É
destinado a jornalistas que trabalham em empresas de comunicação na
América Latina e no Caribe e estudantes universitários de jornalismo.
Para participar, os/as interessados/as deverão abordar o tema do
concurso, com enfoque na Convenção sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW). O trabalho deverá ser
inédito com, no máximo, 8 mil caracteres, processados em formato Word,
letra Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5, impresso em folha A4,
em um único lado. Podem ser enviados trabalhos em português. O
primeiro lugar receberá o prêmio no valor de $ 500 pesos argentinos e
um diploma de honra. Os segundos e terceiros lugares receberão $ 300 e
$ 200 pesos argentinos, respectivamente, e diploma de honra.

As matérias devem ser enviadas para a sede do Instituto de Direitos
Humanos da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade
Nacional da Plata, no endereço: calle 48 e/6 y 7 nº 582, 3 piso, La
Plata, CP 1900, Argentina. As produções deverão ser colocadas em
envelopes fechados contendo o original com quatro cópias, uma das
cópias deverá ser em CD, identificada com pseudônimo. Além de postarem
os trabalhos pelos Correios, os participantes devem enviar uma cópia
para cedawargentina@iidh.ed.cr e info@artemisanoticias.com.ar, com
cópia para derechoshumanos@jursoc.unlp.edu.ar. Outros detalhes nos
endereços eletrônicos cedawargentina@iidh.ed.cr e
info@artemisanoticias.com.ar, com cópia para derechoshumanos@jursoc.unlp.edu.ar. fonte www.rets.org.br

Violência na casa

22 Janeiro, 2008

Jornal Notícias do Jardim São Remo / Pauta: violência doméstica

NJR - Quem são os principais atingidos pela violência doméstica?

Dolores Galindo – Partindo de uma observação simples, um primeiro ponto a salientar é que os principais atingidos pela violência são, em geral, aqueles que estão mais vulneráveis a essa violência. Eu destacaria as mulheres e as crianças. A vulnerabilidade se dá de um modo amplo. Abrange aspectos como a fragilidade física até a vulnerabilidade que se expressa em um conjunto de sobreposição de violações aos direitos humanos como, por exemplo, violação ao direito a uma moradia segura e digna, à alimentação, o ao trabalho e à renda. Então a vulnerabilidade não é só física, ela inclui fatores individuais, fatores relativos aos programas locais e também sociais (estruturais). As hierarquias de gênero e idade são fundamentais para a compreensão da violência.

NJR - Na maioria dos casos de violência doméstica, qual o parentesco ou relação entre o agressor e a vítima?

Dolores Galindo - Quando a gente fala violência nunca deve entendê-la de modo descontextualizado. A gente tem que perguntar: Quem está envolvido na situação de violência? Em que relações sociais essas pessoas estão inseridas? Por exemplo, o lugar é a casa então como se constroem essas relações na casa entre mulheres, crianças e homens? É preciso entender, então, a história dos lugares. Com isso, a gente passa de uma abordagem menos culpabilizante e estigmatizante a uma abordagem mais compreensiva onde a gente possa partilhar responsabilidades e responsabilizações.

NJR - Como reconhecer casos de violência doméstica?

Dolores Galindo - A gente acha que essa violência está oculta, mas ela está visível em vários lugares. O problema é que ela não está sendo comunicada. Na casa, eles se tornam visíveis em vários momentos e também nos sistemas de saúde, nos pronto-socorros, por exemplo, quando chegam uma mulher ou uma criança com lesões repetidas e com histórias incompatíveis com as narrativas. Então, o conceito fundamental é a partilha de responsabilidades e a centralidade que deve assumir o conceito de proteção. Além disso, a gente deve ter clareza de que qualquer violência contra mulher e contra criança é intolerável, deve ser denunciada e pode ser prevenida. A rede de proteção implica sempre na articulação de vários atores sociais.

NJR - Quais os principais motivos para a ocorrência da violência doméstica?

Dolores Galindo - Em geral, quando a violência vai aparecer no espaço da casa os estopins são, aparentemente, banais: a comida que esfriou… Uma saia mais curta, a criança que não queria dormir, chorava. Pode-se cair no erro de responsabilizar aquele que foi agredido ou retirar a responsabilidade daquele que agrediu por meio de justificativas como, por exemplo, o uso do álcool: “Ele faz isso apenas quando está bêbado”. Nem quando está bêbado se pode fazer isso. Deve-se problematizar sobre essa motivação banal e perceber quais tipos de relações de dominação (de idade, de gênero). Falta de confiança há também nos equipamentos de proteção pra que se perpetuem relações de violência e para que esses motivos banais possam ser usados como justificativa para atos intoleráveis. A gente já vive numa sociedade na qual a violência é um meio de resolução dos conflitos.

NJR - Quais as principais razões para a freqüente aceitação/omissão da agressão pela vítima?

Dolores Galindo - Falta de confiança nos equipamentos públicos, força das hierarquias de gênero e idade dentro dos diversos espaços sociais e um largo caminho que ainda nos separa da efetivação do acolhimento às vítimas. Por isso é muito importante a atuação das entidades de controle social junto aos órgãos públicos. O medo e o desconhecimento do processo que ocorre após a denúncia tornam-se ainda mais acentuados quando não há autonomia financeira por parte do agredido, especificamente no caso as mulheres e das crianças.

NJR - Qual a melhor maneira de ajudar uma pessoa que sofre ou assiste à violência doméstica e não tem coragem de recorrer às autoridades?

Dolores Galindo - Se a pessoa em posição de colaborar está no serviço de saúde ela deve ser apta a identificar os sinais de violência, a acolher a violência, referenciar estes casos para uma rede de proteção. Se esta pessoa está na escola ela deve ser apta em qual responsável pra reconhecer dinâmicas de violência nas crianças, pra poder então referenciar. Se ela faz parte de um conselho deve ser apta para acolher as denúncias e realizar os processos investigativos da melhor maneira possível. Saber como se mexer dentro da rede de apoio existente. Então, dois elementos fundamentais pra isso são informação e articulação. Informação sobre quais são os direitos, os serviços existentes e sobre como estes serviços podem ser acessados.

NJR - Como a vítima deve agir quando sofre violência doméstica? No caso de uma criança, que atitude o responsável por ela deve tomar?

Dolores Galindo - A ação com relação ou contra a violência doméstica começa antes de existir a vítima e o agressor. Além disso, não é apenas a pessoa que é vítima direta da violência que deve estar pensando sobre violência. Como mulheres, por exemplo, nós devemos saber a quem devemos recorrer em casos de violência porque esta informação é também um instrumento de negociação junto aos nossos parceiros, antes que a violência ocorra. É fundamental a promoção da equidade de gênero e do fortalecimento, sem eles, recursos importantes, como a informação, por exemplo, podem ter pouca efetividade.

NJR - Em caso de ameaças ou chantagens por parte dos agressores, como as vítimas devem agir? Há programas de proteção, oferecidos pelo governo ou por organizações não governamentais, para as vítimas caso elas decidam denunciar a violência?

Dolores Galindo - As ameaças e chantagens se apóiam, sobretudo, no medo. Então, para fazer frente ao medo há sistemas de proteção, de responsabilização e de defesa, inclusive de lares e abrigos provisórios nos quais pode ser acolhida e agora nós temos a possibilidade também da prisão em flagrante do agressor. Além disso, podemos fortalecer ações coletivas na própria comunidade.

NJR - Há algum tipo de serviço, oferecido pelo governo ou por organizações não governamentais, de apoio legal e psicológico às vítimas de violência doméstica?

Dolores Galindo - Há vários serviços oferecidos pelo Estado e há também toda uma rede de circulação da sociedade civil que pode dar apoio e acolhimento a mulheres em situação de violência na casa. Ela deve se dirigir a uma delegacia especializada da mulher. Denúncias de violência contra a criança podem ser levadas a um conselho tutelar e também aos centros de defesa e proteção da criança. Tais serviços atuam em conjunto com uma rede de organizações não governamentais com as quais mantêm diálogo e partilham serviços.

NJR - Qual o tipo de punição aplicada aos agressores?

Dolores Galindo - A gente tem sistemas de proteção específicos, mas todos podem ser punidos e devem ser responsabilizados. Porém deve-se ter clareza de que não se trata apenas de punição. Há a proposta de tentar acolher também aquele que agride - fruto de uma reflexão interna no movimento feminista. Existe o esforço de incluir este homem que agrediu em trabalhos sócio-educativos para promover a construção de novas masculinidades que não passem pelo uso da violência contra a mulher e contra a criança. Responsabilização que se dá também como forma de proteção das pessoas envolvidas na situação de violência.

NJR - Quais as conseqüências psicológicas da violência doméstica para a vítima e para aqueles que assistem, involuntariamente, a essa situação?

Dolores Galindo - Do ponto de vista psicossocial, a gente observa a perpetuação de formas de resolução de conflitos baseadas na violência. É preciso conter essa cadeia de perpetuação, contribuindo para formas de relações entre homens, mulheres e crianças para além do uso da violência e esta é uma tarefa difícil.
[fim]

A presente versão não corresponde ao original publicado. Data aproximada: 18/06/2006

fonte
http://www.interfaceg2g.org/node/473